terça-feira, 11 de outubro de 2011

O nosso amor por Deus

Sempre escrevi aqui sobre o amor de Deus, certo? Mas nesta moeda temos duas faces... A outra, Deus me fez descobrir da melhor forma possível: na prática. Não foi só lendo a Bíblia, escutando louvores ou testemunhos.
Temos em nossa vida o amor que recebemos DE Deus, mas como fica o nosso amor POR Deus? Muitos só lembram-se do amor de Deus quando passam por algum aperto. Ou ainda, tem aqueles que estão bem com Deus, mas por um probleminha “chuta o balde” e deixa de amá-lo. Que amor é esse?


Na sexta-feira, quando entrei no ônibus a caminho da faculdade em pensamento disse ao Senhor: ”Fala comigo ainda esta noite. Eu abro os meus ouvidos para te ouvir e os meus olhos para ver o seu agir”. E atentamente eu fiquei para ouvir Deus.
Na faculdade ri muito com as minhas amigas, estava tudo muito divertido. A aula acabou e fui pra casa. Me bateu certa tristeza no carro, mas tinha sido tudo tão legal que eu não via a hora de chegar em casa, abrir meu Faceboock para comentar as fotos que tiramos na noite.
Desci na casa do meu namorado que ia me levar para casa. Quando já estávamos quase chegando, um carro veio de frente, subiu na calçada onde vínhamos andando, abriram as portas e deram voz de assalto. Não teve o que fazer. Entregamos minha bolsa e infelizmente nela estava meu netboock, dinheiro, celular, documentos, chaves da casa... Graças a Deus não houve nenhuma agressão.
Eu fui forte. Orei não sei por quanto tempo. A sensação que eu tinha era que todos os olhos do mundo espiritual se voltavam pra mim. Eu clamava a Deus enquanto algo me dizia que era inútil. Eu insisti, insisti muito. E a partir da insistente adoração, que resolvi começar, as vozes contrárias foram silenciando.
Quando amanheceu parece que a ficha caiu. Chorei bastante pela manhã. O medo dos ladrões me encontrarem de novo me atemorizava. Há cada insegurança eu corria e orava. Há cada lembrança da perca eu corria ler um versículo bíblico.

Talvez alguma vez você já amou e não foi correspondido, ou então, já viu a pessoa amada virar as costas e ir embora. É triste não? A Bíblia compara a Igreja de Cristo como uma noiva e Ele, como um noivo. Quando duas pessoas resolvem se casar é porque amam uma à outra e querem ter uma vida juntas.
Você já parou pra pensar que Deus anseia o seu amor assim como você espera o dEle? Já imaginou que os teus sentimentos são importantes para o Todo-Poderoso?
Eu não tinha pensado nisso até ter passado por tal situação. Podia ter reclamado, podia ter blasfemado, podia questionar Deus o porquê de tudo. Mas eu sabia que não era isso que Ele esperava de mim. A sensação que tive é que eu magoaria o seu coração se por acaso procedesse assim. Era como se o Espírito Santo me dissesse: “Continue firme, o Pai confia em você”. Em todo momento eu lembrava de Jó que havia sido forte perdendo tudo o que tinha. Cheguei a brincar com Deus, dizendo que eu não era tão forte como ele e que não me testaste tanto! rsrs
O que Deus espera de você é algo simples: que como filho você ame seu Pai; que como ovelha ame seu Pastor; que como noiva ame seu Noivo; que como criatura ame seu Criador; que como vaso ame o seu Oleiro; que como pecador ame o seu Redentor!
O primeiro mandamento? Amar a Deus sobre TODAS as coisas. Dizer que ama é bem fácil, mas viver esta realidade, talvez não seja tão simples. É preciso declarar nos momentos mais difíceis que o ama e lembrar-se que Deus é Fiel para cumprir a sua Palavra.
Confesso que depois de tanta insistência correndo atrás para recuperar minhas coisas eu me cansei. Me senti fraca, sem forças para clamar ou para adorar. Foi quando lembrei-me das palavras de Paulo “Quando estou fraco então sou forte”, porque o poder de Deus se aperfeiçoa nas fraquezas.


“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.” (2 Co 12.9b)


Vale a pena amar a Deus!

... E como eu me sinto feliz em ter esse amor correspondido!!! =D

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Deus, quem tu és?

Tive a impressão que a concepção que eu tenho de Deus é diferente da concepção das outras pessoas...

Tudo que falam sobre Deus eu acredito! Que Ele é o Criador, o Todo Poderoso, o Pai da Eternidade, que é o Princípe da Paz, que Ele é Juiz, Rei, Senhor, Pai de amor, o Bom Pastor, o Bom Samaritano, Advogado, entre tantos outros adjetivos.

No entanto, algumas pessoas (e não sei se estão certas ou não) veêm Deus como um ser ruim. Aquele que está lá no céu e como um observador atento que, como um juri, procura detalhes pra te condenar, pra te tirar fora. Aquele que te olha e fica esperando que você faça algo que lhe supreenda. Aquele que odeia o pecado e o pecador junto! Aquele que expõe o seu pecado e seu desejo mais profundo é que todos saibam aquilo que você é (te ridicularizar...).

Eu não consigo acreditar neste Deus FRIO! Acredito que assim como essas funções "administrativas" de Criador, Soberano, de Detentor do Universo e Juiz, Ele também é o Pai. Aquele que te pega no colo, que te puxa a orelha quando você desobedece, que quando você cai Ele corre pra ver se você está bem. Aquele que te empresta o ombro. Aquele Pai que te espera na porta. Aquele que te abraça quando você se sente um lixo. Vejo Deus através de seu amor. Vejo Deus através de Jesus. Vejo Deus através do Espírito Santo.

Acredito que estando no tempo da Graça, alcançamos as misericórdias do Senhor - como também sei que chegará um dia em que o nosso Advogado será Juiz e que não haverá reconciliação ou conserto, que nossas obras serão julgadas e que receberemos aquilo que merecemos. O que não consigo entender é porque algumas pessoas não conseguem alcançar perdão/misericórdia. Eu não entendo...

Se sentem as piores pessoas diante de Deus e parecem nao conseguir "limpar seus nomes". Quantas vezes eu cheguei diante de Deus triste e envergonhada pelo meu pecado, mas saí dali com perdão, com alegria na alma. É aí que me pergunto se Deus é esse que eu penso que Ele seja.

Tenho medo de ter uma visão contorsida de sua personalidade, no entanto, por mais que eu tente, não é possível enxergá-lo de outra forma. De Gêneses à Apocalipse eu vejo o cuidado dEle com seu povo. No deserto ou no Novo Testamento eu vejo carinho, vejo conselhos, vejo recomendações de um Pai. Eu vejo o Deus em que acredito!


"Tenho medo de descobrir que Deus não é o que eu penso que Ele é."


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A hipocrisia contemporânea

As igrejas são identificadas, na maioria das vezes, pelos seus costumes e doutrinas. Não quero de forma alguma julgar esse aspecto, mas quero refletir: até que ponto isso interfere?
Estamos cheios de etiquetas penduradas. Cheios de rótulos. Quando olhamos para um visitante na igreja, logo procuramos as etiquetas: A mulher está de saia? Levanta a mão no momento de adoração? Sabe cantar algum hino? Trouxe uma Bíblia?
Desculpem-me o desabafo. Eu estou cansada de hipocrisia. Cansada de ver pessoas quadradas dentro da igreja. Cansada desses rótulos inúteis. Cansada de “perder” almas por acharmos que somos melhores que os outros. Cansada!
Pra exemplos, no ano passado, convidei um irmão para pregar num culto de crianças e ele utilizou bonecos. Tive que ouvir poucas e boas de uma senhora que dizia que “aquilo não era de Deus”. Não faz muito tempo, um casal da igreja levou, num domingo a noite, um mendigo que haviam encontrado na rua. Ao término do culto, ouvi muitos comentários do tipo “que fedor que estava”; “não dava pra aguentar o cheiro”, entre outros comentários piores ainda, que não me cabe colocar aqui.
Que tipo de crentes somos? Que não amamos o próximo. Que criticamos aqueles que usam do seu talento pra oferecer algo a Deus. Que vamos à igreja para cultuar, mas que ao invés disso ficamos achando detalhes pra ter do que criticar. Que fazemos de tudo pra acharmos os erros pra ter o que falar sobre nossos líderes.
Que tipo de crentes somos? Ou melhor, que tipo de crente temos buscado ser? Atitudes que não condizem com as aparências. Engraçado não? A Bíblia fala sobre isso. Sepulcros caiados. Que beleza por fora... Como disse meu líder, com aquele cabelo comprido todo despenteado, com a saia arrastando no chão, mas no entanto, a língua acompanhando. Por fora é o santo, desculpem-me novamente, mas é quadrado, isso sim! E por dentro, nada mais que podridão...
Na verdade, o que anda acontecendo é que queremos defender a nossa placa, a nossa religião. Nos prendemos à coisas pequenas ao invés de lutar pelo Reino de Deus. Queremos uma “ética” que não existe, criando uma postura falsa.
Pra acabar com todo esse problema é simples: mais amor e menos etiqueta. Parar de apontar o dedo e amar o pecador. Parar de criticar o líder e amá-lo. Parar de desprezar o pobre, o sujo e amá-lo. Parar de se achar superior e amar os demais como a si mesmo.
O amor é o princípio de todas as coisas. Se não fosse o amor, Jesus não viria ao mundo. Se não fosse o amor, os apóstolos não pregariam. Se não fosse o amor, os missionários não iriam para os campos. Se não fosse o amor, a palavra da redenção não chegaria até você. Se não fosse o amor, não estaríamos aqui...
Queria ficar só com essas palavras, mas preciso acrescentar. Jesus afirmou que “O Pai procura os verdadeiros adoradores, que o adorem em espírito e em verdade”.
Pra mim, o verdadeiro adorador é aquele que é sincero. Que conhece e reconhece suas limitações. Que chega diante de Deus, pode ser que até mesmo envergonhado de seus atos, mas que reconhecendo que Deus é Deus o adora e declara seu amor por Ele. Verdadeiro adorador, é aquele que é amigo de Deus. Que tenta das melhores formas possíveis agradar a Deus e NÃO AOS HOMENS, (buscando mérito e recompensas)!
Lembrando de Davi, quantas vezes ele não caiu na tentação de fazer aquilo que era bom aos seus olhos, mas reconhecendo seu erro, retornava a Deus, se arrependia e o adorava. Davi, com todas as suas limitações, foi um homem segundo o coração de Deus, tanto é que a promessa que Deus fez à Davi, se cumpre até hoje.
Chega de hipocrisia! Chega de tentar fingir que somos uma coisa, quando não somos. Deus conhece todas as coisas, todas as obras da Terra. É hora de lutar por aquilo que realmente interessa, cumprir o IDE de Jesus, deixar que o amor de Deus contagie nossas vidas a ponto que possamos contagiar os que estão ao nosso redor.
Chega de viver de aparência! Se vivermos na verdade, jamais o inimigo terá acusações contra nós e não nos impedirá de fazer a vontade de Deus...

Somos livres!

sábado, 10 de setembro de 2011

O que você vê?

Ontem, chegando a Curitiba, quando o avião começou a descer o sol ainda reluzia pelas janelas e aquela paisagem linda da cidade começava a se aproximar. Eu estava maravilhada... No entanto ao pousar eu olhei para o céu e ele estava cheio de nuvens cinzentas. Entristeci-me por um momento quando me dei conta que o céu que eu havia visto permanecia lá. Isso me encheu de paz... Sabia que aquelas nuvens eram insigniicantes para a dimensão que existia além.

Algumas vezes na vida só vemos nuvens escuras, mas precisamos confiar que elas são pequenas se comparado à grandeza que Deus tem nos preparado...

O que você vê?
Onde está focado seu pensamento?
Nos problemas???
... Ou talvez nas promessas?

Vale a pena confar em Deus. Seus pensamentos e caminhos são mais altos que os nossos...
Suas promessas são incomparáveis!!!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vale a pena esperar o agir de Deus

Faz uns 5 meses que o Wellington, meu namorado, estava desempregado. Durante esse período ele correu pra todos os lados mandando currículos, fazendo entrevistas, trabalhou provisóriamente e como qualquer um, começou a ficar desesperado quando viu que nada estava dando certo.
As portas estavam todas fechadas e, como se não bastasse, sobreveio problemas espirituais, familiares, nos relacionamentos, as perseguições de ministério, etc, etc e tal. Foi quando ele me disse: "no mercado onde já trabalhei estão precisando de repositor e quando saí de lá, o dono falou que as portas estariam abertas pra quando eu quisesse voltar".
Voltar para lá seria ruim porque ocuparia muito de seu tempo e não poderia frequentar a igreja regularmente. Na verdade, eu não tinha gostado da ideia, mas o caso já era grave então dei a maior força. Ele foi até o mercado pedir emprego. O gerente adorou porque estava sufocado de tanto trabalho, no entanto, era necessário ele conversar com outra pessoa que de fato iria contratá-lo. A pessoa ficou de ligar e... nada!
O que é mais engraçado é que tinha vaga. O gerente precisava de alguém. E, na conversa já tinham acertado quase todos os detalhes...
Passaram-se duas semana quando ele deu para um amigo levar seu currículo numa empresa que ele sempre dizia que queria trabalhar. Essa mesma cena tinha se repetido tantas outras vezes que nem lembro de encorajá-lo dizendo que daria tudo certo. Não passou muito tempo ligaram dessa empresa marcando uma entrevista.
Aí eu comecei a entender o trabalhar de Deus e lhe disse que se o mercado não tinha o chamado com certeza era porque Deus tinha algo melhor. Recomendei que orasse e que se fosse da vontade de Deus que tudo se encaminhasse e que se não fosse que essa porta se fechasse de uma vez. Foi quando ele comentou comigo que todas as suas esperanças tinham fracassado e que até mesmo o mercado que era sua ultima opção (pois sabia que ia dar certo) tinha dado errado.
Ele foi submetido à uma prova e passado quase uma semana ligaram novamente pra que levasse seus documentos e porteriormente pegasse seu uniforme.
Hoje é seu primeiro dia de trabalho. Tercerizado, ele vai trabalhar numa grande empresa com grandes chances de ser efetivado. Salário quase o dobro, senão o dobro, do que no mercado. Trabalhará de 2ª a 6ª feira e o ônibus da empresa irá pegá-lo todos os dias no portão de casa.

Ontem enquanto almoçávamos começamos a nos lembrar das empresas que ele fez entrevistas. Uma mais longe que a outra. Salários mínimos. Carga horária alta... Começamos a imaginar se de repente o mercado tivesse lhe chamado, de como estaria a sua vida. Foi aí que entendemos o trabalhar de Deus.


Valeu a pena passar por tudo.
Valeu a pena confiar que Deus tinha o melhor.
Valeu a pena esperar!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Os planos de Deus: os milagres em minha vida

Quando eu tinha 7 anos de idade sofri um acidente de carro. Ontem a noite, sentada na mesa com meu pai, começamos conversar sobre minha infância e não teve como fugir desse assunto. Sempre ouvi meu pai contando sobre a experiência, mas nunca ele nunca tinha contado especificamente pra mim.
O acidente ocorreu no dia 21 de novembro de 1998, por volta das 20:00 e 21:00 horas, na BR 116. Tínhamos ido para uma cerimonia de casamento e a recepção seria na Fazenda Rio Grande, próximo de casa. Meu pai trabalhava como vigilante e nesse dia ele estava trabalhando. Ele conta que seu coração estava apertado e por mais que orasse e lesse a Bíblia o aperto não passava. Por volta de 15:00 horas, chegou o senhor que ficaria no lugar dele pra que ele pudesse ir ao casamento.
Nós tínhamos um carrinho, um Monsa, mas lá em casa ninguém tinha carteira de motorista ainda, por isso meu pai convidou um amigo da família para ir com a gente e dirigir o carro.
Enquanto nos arrumávamos, meu pai havia pego sua cinta e não sabia onde tinha colocado. Aquele aperto em seu coração e o desaparecimento da cinta fizeram com que meu pai desistisse de ir. Eu lembro de vê-lo sentado no sofá da sala e eu ir até lá mostrar meu novo vestido pra ver se assim eu causava alguma reação nele pra que ele fosse. Nada aconteceu. Meu irmão e o rapaz saíram chateados, mas prometeram ao pai que voltariam em casa pra levá-lo no restaurante.
Fomos ao casamento, o rapaz, meu irmão, minha mãe, eu e a filha do rapaz que tinha 3 anos. Como meu pai não tinha ido, a esposa do rapaz voltou em nosso carro com seu bebezinho de colo. Naquela época não tinha essa conscientização que hoje temos: voltamos em sete pessoas no carro (4 adultos e 3 crianças).
À caminho da Fazenda Rio Grande, uma carreta num contorno não aguardou os carros passarem e atravessou a BR. Nosso carro era o primeiro e vinha em alta velocidade. Metade do carro entrou debaixo da carreta. Os que estavam atrás foram arremessados. Meu irmão e o rapaz ficaram presos. A esposa do rapaz juntamente com seu bebê, faleceram na hora. A filha do rapaz não teve ferimentos graves, o restante foram levados para o hospital Cajuru, em Curitiba.
Desse momento eu não me recordo nada. O único que estava consciente era meu irmão. Meu pai logo foi avisado e ele imediatamente quis ir até o local do acidente. As pessoas falaram para ele não ir, mas mesmo assim ele foi. Pela sua reação ninguém esperava. As pessoas vinham até ele para dar uma palavra amiga e ele dizia: “Deus é soberano, sabe aquilo que faz”.
Já no hospital, meu pai entrou no consultório médico com minhas tias Carmem e Zeli. O médico disse que meu irmão e minha mãe estavam bem, mas que eu corria risco de morrer. Eu estava na UTI e meu pai não pode me ver. Naquela noite ele foi pra casa e não conseguia dormir. Contou que orou e chorou cerca de duas horas sem parar. Fazia 6 dias que minha irmã tinha ganhado bebê e por isso estava lá em casa. Meu pai conta que ela chorou com ele pela minha vida.
No domingo de manhã as pessoas não paravam de chegar lá em casa. Os vizinhos bem cedo queriam saber como que estávamos. Também foi um irmão da igreja, Dércio, que disse ao meu pai que estava orando por nós e que não era pra ficar preocupado, pois Deus não me recolheria.
Meu pai foi ao hospital cedo. Na hora do almoço foi até um restaurante que tinha em frente para almoçar, já que se completava 24 horas que não comia nada. Ele pediu uma coca e quando ele foi comer, ele se lembrou de mim e um pensamento lhe veio a cabeça: “A Ane deve estar com fome...”. Ele afastou o prato e não conseguiu mais comer.
Mais tarde no hospital, chamaram meu pai e disseram que eu havia saído do coma e que era para alguém ficar comigo para que quando acordasse eu não chorasse. Meu pai ficou comigo. Ele ainda não tinha me visto depois do acidente. Disse que ficou espantado ao me ver, pois meu rosto do lado esquerdo estava em carne viva, meu braço também estava quebrado. Quando eu acordei e o reconheci a primeira coisa que disse era que estava com fome e pedi pra que ele comprasse um salgadinho. - Quando ele me contou isso, choramos juntos na mesa...
Ele disse que naquele momento fez uma promessa que tudo aquilo que eu quisesse comer, ele daria um jeito de conseguir, mas naquele momento era impossível, eu estava proibida de comer. Também sentia muita sede. As enfermeiras traziam em copinhos de café, água para que eu tomasse, me pai disse que eu tomava aquela água com toda vontade, mas que num gole a água acabava.
Dias depois o médico me liberou para ir para casa, meu pai disse a ele que não havia condições pois eu havia chorado a noite inteira reclamando de dor no lado esquerdo do rosto. O médico então resolveu fazer novos raios X e foi verificado que minha mandíbula estava fora do lugar. Não entendo muito, mas o ligamento de um osso com o outro havia se rompido. Foi então que fui para a mesa cirúrgica. Se antes eu não podia comer nada, imaginem agora. “Pregaram” na minha gengiva, tanto em cima como embaixo, uma barrinha de ferro que tinha ganchos e nesses ganhos foram colocados elásticos para que mantessem minha boca fechada e todo alimento devia ser moído e passar por um canudinho, pelo fato de eu não poder mastigar.
O rapaz, uma semana depois, acabou falecendo. Meu irmão e minha mãe receberam alta dias depois. Fui a ultima a sair do hospital e meu pai esteve ao meu lado todos os dias. Era um tanto engraçado, pois todos os dias ele aparecia com uma bandeja de iorgurte, pois era a única coisa “gostosa” que eu podia comer, eu já estava ficando enjoada quando fui para casa - ainda com o aparelho na boca e gesso no braço, mas no final ficou tudo bem.


Depois que tudo aconteceu, nos lembramos que uns homens que faziam campanha eleitoral naquele ano, haviam passado lá em casa e começaram a conversar com meu pai no portão. Falaram que sentiram de orar pela nossa família. Meu pai convidou-os para entrar e fizeram uma oração. Um daqueles homens disse que antes que o ano acabasse Deus daria um grande livramento para nossa família e que havia um laço de morte preparado para mim, mas que estava sendo desfeito naquele dia. Lembro-me de ter abraçado minha mãe e perguntado a ela se eu iria morrer.


Ano retrasado, no meu aniversário, meu namorado fez um vídeo para mim e nele meu irmão disse algo que ficou guardado no meu coração: “Dizem que vaso ruim não quebra, mas eu discordo, vasos escolhidos por Deus, esses sim, não quebram”.
Já se passaram 13 anos, mas esse acontecimento ainda marca minha vida. Tenho a cicatriz em meu rosto e não me envergonho disso. Digo que é a minha marca da promessa. As vezes fico confusa do que Deus quer especificamente de mim, mas sobretudo digo à Ele que onde quer que eu esteja que eu possa ser luz e um canal de esperança.


Depois de conversar e chorar com meu pai lembrando de tudo eu consegui enxergar em meu pai Deus e em Deus um pai. Assim como meu pai chorou e sofreu com meu sofrimento e esteve ao meu lado mesmo quando inconsciente eu estava, assim Deus é o Pai que se comove com nossos sofrimentos e mesmo que não percebamos Ele está ali do nosso lado, esperando o momento que iremos acordar e reconhecê-lo. Ele espera que você peça “Pai, estou com fome” e então Ele se moverá ao seu favor.


Quando comecei a escrever, tocou uma música no rádio que falou profundamente comigo, pois este é o meu testemunho:


Aquilo que parecia impossível,
Aquilo que parecia não ter saída,
Aquilo que parecia ser minha morte,
Mas Jesus mudou minha sorte:
Sou um milagre estou aqui.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quantas vezes...

Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos;
Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça;
E as vezes que sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir;
Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercado de pessoas;
E falamos, sem sermos notados;
Quantas vezes lutamos por uma causa perdida, e voltamos para casa com a sensação de derrota;
Quantas vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes.

Às vezes em que pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz;
E a resposta vem, seja lá como for, um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete, um gesto de amor;
E a gente insiste...
Insisti em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser;
E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho: Aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito.
E a gente insiste em seguir, por que tem uma missão...

Autor Desconhecido